A Hora Chegou IV

 

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Anteriormente referi que para existir uma verdadeira mudança, tanto no homem como na humanidade, ela tem de ocorrer primeiro no íntimo de cada um. O mundo, a terra, o universo podem modificar-se inteiramente, podem surgir novas terras e continentes enquanto que regiões inteiras podem desaparecer debaixo dos mares, pode até mudar a cor do céu, a própria luz do sol pode inclusive tornar-se mais pura e brilhante, isto é, todo o cenário que envolve a humanidade pode transfigurar-se, mas se o próprio homem não mudar interiormente tudo depressa voltará e se transformará novamente num ambiente negativo e decadente.

As verdadeiras revoluções do espírito começam sempre dentro de nós, é aí no campo interno que temos de concentrar todos os nossos esforços de redenção e evolução. A maior das guerras, a mais brava das batalhas é travada no nosso íntimo. O nosso maior adversário, o nosso maior inimigo somos nós mesmos. O maior e mais glorioso guerreiro é aquele que se venceu a si mesmo, que derrotou, subjugou e transfigurou o seu Eu Inferior (a nossa personalidade, sede dos nossos desejos e instintos mais baixos) para ser a mansão do nosso Eu Superior (Mestre Interno ou Cristo Interno).

Queres ser grande, ser louvado por toda a eternidade, queres que o teu nome fique gravado pela eternidade no indestrutível livro dos filhos da luz?… Então, parte à conquista dos teus mundos internos, conquista-te, destrói o mal, essa erva daninha, que habita em ti e serás grande entre os grandes.

Desejas reformar o mundo, anseias por mudanças, deves primeiro começar por realizar uma tarefa bem mais árdua e difícil, conquista-te, reforma-te, pulveriza o mal que se irmanou com a tua carne e toda a natureza se vergará à tua vontade.

A Sabedoria Divina diz: “O nosso maior e único inimigo está dentro de nós…” Quando a humanidade entender que o verdadeiro campo de batalha está dentro de si, não no espaço, não no exterior que a rodeia, não nos outros eus que a cercam, que a verdadeira mudança tem de primeiro iniciar-se dentro dela, que o mal que a envolve e afronta é reflexo do mal que vive dentro dela, que o grande inimigo de Deus e dos homens está dentro do próprio homem, nesse preciso momento a transformação iniciar-se-á verdadeiramente. Quando a humanidade, na sua grande maioria, se transformar, todos os sistemas políticos, sociais, educativos, económicos mudarão automaticamente para melhor.

Se queres transformar o mundo que te rodeia, transforma-te primeiro e combate o maior dos combates, a mais colossal e gloriosa das lutas e o mundo transformar-se-á. Estás cansado do mal que inunda o mundo, sente-se em ti uma revolta e raiva cada vez maior pelas injustiças, pelas mortes, pelas mentiras, degradação dos valores, pelos crimes e roubos que florescem sem fim e parecem cada vez mais, ao comum dos mortais, acontecimentos normais; então canaliza essa raiva, todo esse furor e energia para a conquista de ti próprio, para te tornares um obreiro do novo mundo… A obra é vasta e o trabalho árduo, o salário não passa de amargas mágoas, de incompreensão e sofreguidão exteriores. Interiormente, esse vencimento alimenta muitos e em especial o espírito, que se extasia com tão alta recompensa, vencimento que se acumula não na terra mas no céu, no plano da alma. Anseias verdadeiramente por um mundo diferente, mais justo, onde o amor possa ser a luz das nações, então peregrino… junta-te a nós, esperamos por ti!…

 

 

11 Maio de 2011

 

SOL

 

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A Hora Chegou III

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A hora chegou III

Para que o plano de Deus se possa concretizar, erguer-se pela vasta geografia da Terra, Deus precisa de obreiros, de homens e mulheres que sintam em si o estrondoso apelo da poderosa e compassiva voz interior do espírito.

Quem serão os obreiros da maior das revoluções? Quem serão os obreiros daquela que ficará conhecida como a Revolução Espiritual do terceiro milénio?

Existe um adágio na sabedoria divina que diz: “O mal labuta sempre em favor do bem”. De forma simples essa afirmação alude ao facto do mal ser um real motor evolutivo. O agudizar da dor, a amargura e o muito sofrimento, as duras tribulações da vida despertam os sentidos, desenvolvem a inteligência, são por vezes as únicas vias que levam o homem a reflectir, a meditar nos porquês da sua má fortuna. Essa é, infelizmente, a única via que resta à vida quando os homens e a humanidade não querem mudar de rumo. Aliás, são as consequências dos nossos actos que nos permitem evoluir. A lei cedo ou tarde manifesta-se invariavelmente com suprema justiça, nada a desvia e as suas consequências só têm como último significado o tentar ensinar-nos matérias que precisamos de aprender. As tribulações, as convulsões, as conflagrações abrirão os olhos da cega humanidade, cega pela oca e superficial civilização do bezerro de ouro e consumismo do ter. A dor, a grande dor, desperta o espírito preso no cárcere da carne. Pela dor o espírito liberta-se do seu calvário e ganha asas para inimagináveis voos de verdadeira emancipação das pesadas vibrações do ter. Será esse despertar gradual que aos poucos abalará para sempre as nossas pobres vidas.

O impacto da energia vindo do centro da nossa galáxia, e por simpatia do nosso Sol, além de, numa primeira fase, fazer emergir os nossos demónios interiores, terá também o condão de trazer à luz do dia o que está camuflado sob as sombras. Invariavelmente, aos poucos e poucos, várias evidências e provas de actos e investigações praticadas pelos cientistas em prol deles próprios e sobretudo de uma pequena elite dominante virão ao de cima. A humanidade descobrirá que muitas áreas da ciência, em vez de laborarem para o bem comum, trabalhavam para o mal da maioria e o bem e benefícios de uma egoística e sanguinária elite constituída não por homens, por muito que a sua aparência exterior nos ludibrie, mas por horríveis monstros.

Em todas as áreas, desde a política, finanças, saúde, até à educação, os tentáculos do polvo e suas ramificações serão revelados; e nesses dias a humanidade sentará no banco dos réus todos aqueles que hoje se julgam intocáveis, os quais edificaram os seus domínios pela morte, pelo sangue e escravização da humanidade ao ter.

Um dia a humanidade acordará. Ao princípio serão uns poucos que sofrerão a incompreensão da maioria, o certo é que aumentarão continuamente, no fim serão tantos que mudarão para sempre a face da Terra e a sua história. Esses obreiros serão formados por homens e mulheres de todos os credos, de todas as nacionalidades, de todas as cores, de todos os quadrantes, por crentes e não crentes. Um grande sentimento irá uni-los nessa grande pacífica batalha, não terão medo de deixar ou perder as suas riquezas, imagem social, posição económica, política ou religiosa, e porque não terão medo de perder bens e privilégios, tudo ganharão. Irão trabalhar afincadamente por uma nova fraternidade, sem medirem lucros, ganhos ou perdas.

Essa será a nova revolução espiritual, que irá despertar na altura em que a humanidade estiver cansada de tanto ódio e sangue. Os que pensam primeiro em si próprios, nos seus ganhos ou nas suas perdas, nos seus irrisórios e mesquinhos sucessos sociais, por muito que se julguem poderosos ou influentes, ficarão para trás e a sua maneira de viver ficará caduca e obsoleta, a pouco e pouco irão desaparecer, engolidos pelos novos tempos que se aproximam. De vela em vela, de tocha em tocha, de coração em coração, inflamará todo o planeta, transformando-o numa estrela de amor. Quem viver verá!

21 Abril de 2011

SOL

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A Hora Chegou II

Na continuação do post anterior “Garrafa ao Mar” aqui fica a segunda parte do texto:

A hora chegou II

Nunca dentro de um assinalável período de tempo o planeta Terra teve condições tão propícias para a transmutação dos seus planos, isto é, da sua estrutura, seja ela física, astral ou mental. Mas esse enquadramento ideal pode não ser o suficiente para que a mudança possa surgir. Aliás, para que uma mudança possa surgir e tornar-se manifesta, ela deve ocorrer sempre primeiro no plano íntimo. A verdadeira mudança é sempre interior, todo o enquadramento exterior que nos cerca é um reflexo do estado interior de cada um, ou da humanidade no seu todo. O mundo, o cenário do nosso dia-a-dia, que nos rodeia, os seus movimentos, a sua amplitude, a dinâmica que assola o movimento exterior do nosso drama existencial é fruto dos nossos conflitos ou harmonias interiores.

Enquanto não houver uma mudança interior nunca haverá uma autêntica mudança no meio envolvente que nos cerca. Vamos, e já estamos, atravessar ainda que suavemente o momento X de verdadeiros movimentos apocalípticos, a energia cósmica será propícia para tal cenário mas o sentido que dermos a essa energia, a forma como ela será usada será da nossa exclusiva responsabilidade.

Os que esperam que as mudanças caiam do céu sem realizar um único esforço bem poderão esperar de braços abertos, porque pouco ocorrerá nesse sentido de positivo, isto é, no sentido humano do problema. Quando o impulso energético começar a fazer-se sentir com maior intensidade, é possível que a grande maioria da humanidade sofra um impacto tão forte que o eu inferior (a nossa personalidade onde estão sediados os nossos mais baixos instintos) vá reagir a esse fluxo, tão portentoso, das formas mais negativas. Os mais baixos instintos, os nossos demónios interiores serão soltos. É claro que todo esse processo tem um sentido lógico porque primeiro é necessário limpar a casa e esse processo enquadra-se dentro de um verdadeiro laboro alquímico. Bem poucos serão os que receberão essa energia sem serem afectados negativamente por ela. É claro que a afectação exercida se conjugará consoante o nível da nossa pureza interior, quanto mais puro mais a sua influência será benéfica para quem a receber.

É importante referir que o problema não está na energia em si mas na má qualidade dos receptores, a maioria da humanidade está apegada a vibrações demasiado densas. Os poucos que suportarão o impacto energético serão fundamentais, e partirá deles a faísca, se não vacilarem, que incendiará o mundo num monumental incêndio de Amor. Esses poucos serão os mais fortes de entre os fortes (não me refiro aqui a nenhum poder ou força temporal) e guiarão os mais fracos para a aurora dos novos tempos, porque esses poucos terão descoberto a mais poderosa, invencível e destruidora de todas as armas. O ódio, o medo, a maldade do mundo não se vencem com mais ódio, medo ou maldade, destroem-se com a mais poderosa das armas: o Amor incondicional. E nesses tempos propícios à mudança, se os homens derem as mãos, com muito trabalho, suor e lágrimas, os tempos sem tempo hão-de se erguer.

Novas palavras, repetidas por Cristo e outros grandes Mestres, estremecerão os velhos podres alicerces das nefastas e infames estruturas que há várias eras dominam o mundo, que do sangue dos homens ergueram os seus poderes e os sustentam pelo medo.

Não tenhas medo, sê um agente da mudança porque a hora chegou…

Acredita e o mundo estremecerá…

 4 Abril de 2011

SOL

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Garrafa ao Mar

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Há já algum tempo que recebi uns textos importantes. Na verdade um dos propósitos deste blog foi, entre outros objectivos, a divulgação destes textos, estávamos nós em 2011. Pois é o tempo passa rápido, por falta de força, motivação ou porque na verdade para além de mim e pouco mais, não sei se alguém cá veio ler alguma coisa, não tinha publicado ainda nada.

Apercebo-me agora de que não tenho o direito de ceder aos meus desencantos e fraquezas e continuar a guardar para mim estes textos e aqui os começo a publicar.  Na verdade sinto-me como um naufrago que envia uma mensagem numa garrafa na expectativa de ser resgatado de uma qualquer ilha deserta, que não sabe se alguém vai ler a sua mensagem ou se lhe dará valor. No entanto, face aos acontecimentos mundiais que temos vindo a testemunhar, parece-me que a mensagem destes textos é cada vez mais relevante e necessária. Se algum leitor desejar exprimir a sua opinião ou partilhar algo que esta mensagem lhe desperte, agradeço que o comente, quer directamente no Blog ou então pode enviar um mail para eusoucaminhoverdadevida@gmail.com.

Sem mais delongas:

A hora chegou…

O mundo como o conhecemos vai findar. Paulatinamente vai desvanecer-se, fragmentar-se em infinitas partículas de pó, finar-se até não passar de uma simples lembrança fugaz do crepúsculo. Esse lento perecer será estrondoso, colossal aos olhos dos que nada vêem além do nevoeiro da substância.

A hora chegou!…

Pois bem, a hora chegou… Estás preparado para a maior e mais estrondosa revolução que agora timidamente iniciou a sua marcha?

Mas enquanto as tuas forças, a tua vontade, os teus anseios estiverem dirigidos para a obtenção de simples bens terrenos, para a ascensão de mais alguns degraus na ilusória esfera social, para a aquisição de mais poder ou de mais dinheiro, ou de uma casa muito mais luxuosa que a do teu vizinho, ou de um carro mais cintilante, definitivamente não estarás preparado.

Enquanto o teu ser se confundir com o ter e por ele for subjugado e escravizado, nada mais poderás almejar e ambicionar do que findar com o mundo que te prende com as suas ocultas e pesadas correntes.

O mundo, durante a sua portentosa queda, levará consigo os que lhe pertencem, sem piedade arrastará para os seus débeis pés todos os que magneticamente se encontram conectados aos seus ditames e leis. Ele não quererá desabar sozinho e tudo fará para levar consigo o maior número de pessoas afinadas com as suas nefastas melodias.

Queres atravessar a maior, a mais portentosa e titânica revolução da história da humanidade e fazer parte das legiões de derrotados que serão arrastadas pelas correntes avassaladoras da queda do mundo?

Não creio!…

A hora chegou e de hoje em diante, durante 22 anos, o martelo de Thor vai martelar, transformar, transmutar, por vezes de forma violenta e noutras de forma mais suave, toda a geografia terrestre e humana. O mundo e todos os seus valores substanciais vão incendiar-se, aqueles que desesperadamente se agarrarem à cadeira do poder e do ter, por muito fortes que se julguem, serão pulverizados em migalhas. Nada, nem ninguém, poderá resistir a tão assombrosa mudança, que arrastará tudo e todos num dilúvio tão gigantesco que só quem possuir a fortaleza interior e espiritual da arca poderá aspirar a sentir nas faces a carícia dos primeiros raios da nova aurora.

A hora chegou e nem mil exércitos, nem dez mil Golias, nem cem mil rituais demoníacos podem alterar o seu curso. Nalgum período ainda vindouro parecerá que o ter terá triunfado sobre tudo, tão grande será a desolação e o temor… Pura ilusão! Quanto maior a putrefacção, quanto maior a escuridão, maior o germe da mudança. Quando as mais densas sombras cobrirem por inteiro a Terra, quando já nem a esperança subsistir no íntimo recôndito da caixa de Pandora, a luz romperá e rasgará de tal forma as trevas que tudo estremecerá. E aí terá chegado o decisivo momento dos últimos suspiros da moribunda era. O mundo prostrar-se-á de joelhos, prestes a ruir, e durante esse lapso de tempo um puro raio de amor sentenciará todas as suas pérfidas obras, e entre gritos de aflição e de assombro abrir-se-ão milhares de fendas sob os seus velhos alicerces e todos os seus fundamentos serão engolidos pelos novos tempos. E a porta abrir-se-á deixando transparecer do seu interior as primeiras lufadas de um tempo sem tempo.

24 de Março de 2011

SOL

 

Aqui termina a primeira missiva que recebi de quem conheço por SOL, e acerca da qual não tenho a mínima dúvida da sua veracidade e pertinência.

Um abraço fraterno,

Johannes

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As Sete Consonâncias

As Sete Consonâncias

Fabio Almeida | 23 de maio de 2013


Excelente texto enviado pelo músico Alvaro Coutinho

Astrologia e música são dois estudos que aparentam ser bem diferentes, afinal de contas, que relação há entre os astros celestiais e uma orquestra? Estranhamente, a correlação entre essas duas matérias sempre existiu, o que é de certa forma bem conveniente, ambas tratam de assuntos que sempre influenciaram o subconsciente do homem. A fascinação de uma pessoa ao olhar o céu estrelado pode se comparar a alguém escutando a Nona Sinfonia pela primeira vez.

Pitágoras, e a Musica Universalis

Esta associação vem de muito tempo, talvez o primeiro, ou mais notório filósofo a estudar isso viveu na Grécia cerca de 2.500 anos atrás, chamava-se Pitágoras de Samos, filósofo, matemático e místico que proporcionou grandes avanços para a humanidade em inúmeras ciências, matemática, astrologia, política, ética, geometria, metafísica… enfim, a lista segue. Todo mundo conhece por exemplo o seu teorema mais famoso (a² + b² = c²), mas essa equação é completamente eclipsada quando comparamos a importância dos estudos sobre música e sua magnum opus, a Musica Universalis.

Para Pitágoras era simples, matemática e música existem em tudo, afinal de contas “tudo é feito de números”, e como a música funciona por meio de funções, então logo, toda a matéria tem a sua música. Sabemos que a matéria reage a vibrações, ou a frequências diferentes, alguns ainda sugerem que matéria é energia condensada em vibrações fracas, logo, como toda vibração tem a sua “nota” específica, tudo o que existe emite um som e reage a sons diferentes. Na música sabemos que relações entre intervalos formam uma harmonia ou uma consonância.

Na época helênica clássica, não existia o conceito atual de notas, mas sim funções numéricas para cada relação de nota. Então, o que hoje seria, por exemplo, um intervalo de oitava (Dó a Dó) era antes uma função de 2:1, ou seja, a vibração emitida por uma corda é o dobro da frequência (Hz) emitida por uma outra coda afinada a uma oitava mais baixa, um intervalo de quinta (Dó a Sol) é 3:2, e por aí vai. Para fazer os seus estudos Pitágoras usava um instrumento chamado monocórdio, que era basicamente uma corda presa sobre uma caixa acústica e com uma ponte móvel, para assim formar notas diferentes.

Pitágoras percebeu então, que se ele dividisse a corda em diferentes regiões e tocasse ambas simultâneamente, ele teria uma combinação de notas que formaria a tal da consonância (do latim, soar junto, bem auto explicativo).

Mudando para a segunda área do assunto, os estudiosos da escola Pitagórica, tinham desenvolvido um conceito ancestral do héliocentrismo, ou seja, já sabiam que cada planeta possuia uma órbita padrão em relação ao sol que poderia ser expressada como uma razão numérica. Então, se ligarmos os pontos, podemos entender que cada planeta formaria uma consonância que influenciaria o comportamento humano e suas emoções. Para nós estudantes de astrologia isso soa bem familiar não?

Surgia assim a teoria da Música das Esferas. Seria Platão posteriormente que afirmaria, astronomia e música são estudos gêmeos em relação aos nosso sentidos: Astronomia para os olhos e Música para aos ouvidos. Claudius Ptolomeu seria o próximo a estudar e desenvolver novas ideias em cima da teoria de Pitágoras. E por fim, talvez o mais genial astrólogo e astrônomo de todos os tempos, Johannes Kepler [1].

Kepler, e a Harmonices Mundi

Kepler, com a sua incessante busca de tentar encontrar a linguagem de Deus no universo, estudou diversas áreas. Sua obra mais memorável, Mysterium Cosmographicum, constava a utilização de geometria, os Sólidos Platônicos para ser mais exato, para criar um modelo do sistema solar. Ele acreditava que estes cinco poliédros seriam sagrados e perfeitos por natureza, e que o criador teria utilizado-os para desenvolver o plano do universo.

Porém, suas pesquisas não se limitaram somente a geometria, ele logo se deparou com a antiga ideia da Música das Esferas. Enquanto os pensadores da sua época utilizavam esta teoria de forma metafórica, Kepler descobriu a harmonia presente dentro do movimento dos planetas analisando sua velocidade angular (este estudo está presente dentro do seu Harmonices Mundi), criando assim a forma final e mais aceita da música das esferas.

 Após analisar as proporções musicais e os padrões orbitais, Kepler atribui aos planetas tais intervalos:

 

 (Tradução: Divisões Harmônicas de uma corda, Estas são razões matemáticas para se criar intervalos que Kepler encontrou experimentando ambas consonâncias a respeito de uma corda inteira e a cada outra.) (Notem que não há os intervalos de 2ª, 7ª e 5ª dimunuta, o motivo disso é que estes intervalos não eram considerados harmônicos dentro da divisão) (Na imagem acima a razão de 6ªm está incorreto, na verdade ela é 3:5, não 4:5)

Intervalo (razão) – Planeta, aspecto/função harmônica.

Terça Menor (5:6) - Saturno, aspecto negativo/mediante.

Terça Maior (4:5) - Júpiter, aspecto positivo/mediante.

Quarta Justa (3:4) - Marte, aspecto neutro/sub-dominante.

Quinta Justa (2:3) - Terra, aspecto neutro/dominante. [2]

Sexta Menor (5:8) - Vênus, aspecto negativo/super dominante.

Sexta Maior (3:5) - Mercúrio, aspecto positivo/super dominante.

Oitava (2:1) - Sol, aspecto neutro/tônica. [3]

Esta classificação pode variar de autor para autor, Kepler não foi o único que realizou este estudo, porém, por ter sido um astrólogo extremamente genial, eu considero esta como a mais aceita, devemos levar em consideração também, que ele foi mais fiel as ideias de Pitágoras.

Outra questão a ser levada em conta é o fato de que a afinação padrão atual (A=440hz) é diferente da utilizada nos tempos de Pitágoras e até mesmo de Kepler, antigamente era utilizada a afinação de A=432hz (que por sinal se chama afinação pitagórica), então sim, nem sempre a música feita pelo homem soou da mesma forma, mas esse é assunto para um outro dia…

Considerações Finais

A beleza do nosso universo não se limita somente em leis de física e equações, nem mesmo a luzes brilhantes no céu, planetas girando e estrelas queimando, há muito mais para se sentir no cosmo. O universo por sua totalidade canta uma ópera que nossos limitados ouvidos não podem ouvir, mas que agem sobre todos nós de uma forma misteriosa e silenciosa.

Procuramos na música feita pelo homem uma beleza que não se pode expressar por imagens ou toques, a música é a arte mais abstrata que existe, e talvez por esta razão, a que mais toca a alma das pessoas. Tentamos alcançar a perfeição feita pelo universo (ou criador, ou natureza, quem ou o que fez não importa) porque assim nos sentiremos mais reconfortados, nos sentiremos como uma parte mais expressiva desta imensidão.

Cada um de nós é, afinal, um amontoado de notas mudas tentando se encaixar na grande sinfonia cósmica.


[1] Kepler sem dúvida foi um dos maiores gênios da história da humanidade, recomendo a todos que se interessam por astronomia que assistam o terceiro episódio do programa “Carl Sagans Cosmos” disponível no youtube pelo canal TheScienceFoundation. Carl Sagans Cosmos – Episode 3 – The Harmony Of The Worlds

[2] Em algumas fontes o intervalo de quinta justa é associado ao Sol, enquanto a Terra em si não possui um intervalo definido.

[3] Também é comum associar a Lua ao intervalo de oitava.

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Fonte: http://www.deldebbio.com.br/2013/05/23/as-sete-consonancias/

 

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