A Realidade é uma “Matrix” – Uma Explicação

Fonte: http://marecinza.blogspot.pt/2015/06/a-realidade-e-uma-matrix-uma-explicacao.html

A Realidade é uma “Matrix” – Uma Explicação

” Não existe o que chamamos de ‘matéria’, toda matéria surge e existe apenas em virtude de uma força que leva as partículas de um átomo a vibrar e manter equilibrado esse diminuto sistema solar que é o átomo. Temos de aceitar a existência de uma mente consciente e inteligente por trás dessa força. Essa Mente é a matrix de toda a ‘matéria’ ”. –Max Planck (1858 – 1947)

 

” Se você tiver uma consciência do tamanho de uma bola de golfe, quando você ler um livro, terá o entendimento do tamanho de uma bola de golfe, quando você prestar atenção em algo, terá compreensão do tamanho de uma bola de golfe e quando acordar de manhã, você terá um despertar do tamanho de uma bola de golfe. Mas se você pudesse expandir sua consciência (e você pode), então você leria um livro com mais entendimento, prestaria atenção com mais compreensão e acordaria mais desperto e consciente. Existe um oceano de pura consciência dentro de cada um de nós, e fica bem na fonte e base da mente, é a fonte do pensamento, e também é a fonte de toda a ‘matéria’ “ – David Lynch

 
 
Estamos atualmente aprendendo pouco a pouco que a realidade física é um tipo de ‘ilusão’ coletiva. A Física Quântica veio para nos explicar de forma cientifica e lógica como isso funciona. Basta saber que todo universo é composto por átomos, e os átomos não são sólidos. Os elétrons orbitam em volta do núcleo, mas eles nunca se encostam, assim como você nunca encostou em nada na sua vida, pois os elétrons que orbitam o átomo se repelem, logo o que você sente é nada mais que impulsos elétricos que trafegam em nosso sistema nervoso em direção ao cérebro, que decodifica esses impulsos. Todo esse mundo físico de 3 dimensões – Alturalargura e profundidade, são 4 se você contar o Tempo (não confundir Dimensão com Densidade) é percebido por nossos 5 sentidos, visão, audição, olfato, tato e paladar. A física quântica mostrou que o Tempo e o Espaço são ilusões da percepção desses nossos 5 sentidos. Sendo assim, podemos afirmar que TUDO o que ocupa espaço é parte de um código. Nossos corpos são um conglomerado de um conjunto de códigos. Esse conglomerado ou esse conjunto de códigos, está contido numa “chave biológica” chamado DNA, o nosso Código Genético.
Dos 64 códons de nosso DNA, apenas 20 estão “desbloqueados”, mas isso não quer dizer que não podemos desbloqueá-los. Dependendo de nossos pensamentos, as vibrações geradas podem ativar esses Códons e assim podemos ativar habilidades as quais foram suprimidas. (Pesquise NEXUS)

Voltando ao assunto, a “matéria” parece um bom lugar pra começar a estudar o mundo, pois a solidez do mundo parece inquestionável, assim como seu corpo e seu computador parecem ser coisas fixas que você pode ver e tocar, mas o que vem sendo discutido desde os tempos de Einstein com o nascimento da física moderna, os físicos vem nos mostrando que essa solidez é uma miragem.

O físico nuclear Ernst Rutheford realizou uma experiência em Manchester que revelou a forma interior do Átomo. Os cientistas ficaram surpresos quando descobriram que o átomo é praticamente um espaço vazio. E daí surgiu uma pergunta intrigante para a “razão” da ciência ortodoxa: “Como é possível um átomo vazio formar o mundo sólido que nos rodeia ?” .
[Veja também o Modelo Atômico de Bohr ]

Toda ‘matéria física’, ou seja tudo a nossa volta é resultado de uma vibração, uma frequência, isso significa que se você alterar a frequência, a estrutura de matéria também vai mudar. Nós vivemos em um Universo holográfico e em um holograma, cada pequena parte é um reflexo do TODO, por exemplo, o átomo e o Sistema Solar, e podemos ainda ir mais além, pois uma Galáxia se comporta da mesma maneira. Quanto mais perto do núcleo de uma Galáxia, mais Radiação/Luz existe.

Sabemos que no centro de uma galáxia existe um enorme Buraco Negro. Isso nos faz concordar com a teoria de Nassin Haramein, onde no núcleo de cada átomo há um “mini Buraco Negro“. Se lembrarmos que no núcleo do átomo há o Próton e o Nêutron “lutando” para se equilibrarem, percebemos que a Singularidade é o equilíbrio entre as polaridades, ou seja, matéria e antimatéria, a vibração e a não vibração, ou caos e harmonia.

Toda matéria no universo é “expelida” e “controlada” pelas Singularidades ou Buracos Negros. Desde o nível atômico até ao de uma Galáxia (ou além), tudo que está “fora” ou em volta de um Buraco Negro, é VIBRAÇÃO. O único lugar que a vibração encontra a não vibração é dentro de uma Singularidade ou Buraco Negro. O espaço que pensamos ser o “vazio”, é na verdade um elemento básico para a estrutura perceptível da existência. Ele é maleável e pode ser moldado pela INTENÇÃO. Isso significa que a realidade é então formada pela nossa Consciência. A consciência é a única que cria e modela a realidade individual e coletivamente. Pensamento é vibração, assim como as nossas emoções. É a consciência se manifestando num “caos” criado para gerar experiências. O universo então, é um reflexo de nossa consciência coletiva que cria sem cessar, respeitando a fractalidade dos estados vibratórios. Você acha difícil “enxergar” dessa forma? Então pare já de usar apenas o hemisfério esquerdo do cérebro e pensar apenas tangivelmente. Use os dois hemisférios e equilibre suas “crenças”. A  sozinha é uma forma de crença imutável e rígida, onde nenhuma nova informação entra. Você se encarcera e inconscientemente não se permite aprender.

Muito se fala da entrada de nosso Sistema Solar no “Cinturão de Fótons” detectado pelos astrônomos desde as décadas de 60 e 70. A extensão desse tal Cinturão é 25 mil vezes maior que a nossa própria galáxia. A medida que nos aproximamos desse Cinturão, a Ressonância de Schumann aumenta de acordo com a Matemática de Fibonacci (1, 1, 2, 3, 5, 813). Se é assim, então em 2012 essa frequência estará nos 13hz. A Cimatica demonstrou que quanto maior a frequência, mais complexa se torna a matéria. Ou seja, a fisicalidade ou o meio, é definido por um padrão que acompanha uma frequência/energia. Nós estamos passando exatamente por essa experiência. O movimento dos corpos celestes nos dá a chave para entender as mudanças vibratórias que mudam os padrões de existência, dentro desse gigantesco holograma vibratório chamado Universo.
Mas devemos estar sempre preparados para enfrentar essas mudanças e isso me deixa apreensivo, pois o mundo está sempre com medo e estamos sempre em disputa uns contra os outros. Enquanto estivermos nesse estado mental, vibraremos na frequência do Medo, uma frequência baixa e densa e esse é o propósito de todo o Sistema. 

A estrutura da sociedade atual é feita para criar um estado de medo constante, para termos estresse, para nos deixar preocupados quanto ao amanhã, nos fazer sentir culpados pelo ontem e esquecer o AGORA. A psicologia moderna hoje já sabe (para aqueles que não vivem em caixas), que as únicas emoções que nós sentimos é AMOR ou MEDO, todo resto é derivado desses dois estados, como a nossa raiva que nada mais é do que um ato de medo, uma sensação de impotência perante uma situação que não se tem ‘controle’, ou pelo menos a ilusão de controle (que MUITOS vivem hoje). É bom deixar claro que nossas emoções afetam diretamente a estrutura de nosso DNA, que por sua vez afeta diretamente a fisicalidade no mundo ou meio em que estamos, assim como a nossa percepção da ‘realidade’.

Temos que compreender que se você modificar o campo (nossas emoções alteram seu campo eletromagnético, o que os médiuns chamam de ‘aura’) em que o átomo está, você modifica o átomo, e nós somos feitos desses átomos, portanto, quando nós temos pensamentos e por consequência sentimentos (ou vice-versa), nós estamos modificando o campo que conecta os átomos que nos compõem, portanto estamos literalmente nos modificando e modificando o ambiente em que vivemos de acordo com nós mesmos.

Fica nítido então, perceber que alguém está manipulando nossa percepção dessa fisicalidade para nos aprisionar num perpétuo estado vibratório. Não querem que entendamos além desse estado, pois assim, recuperamos a nossa Liberdade. Todos nós devemos tomar muito cuidado com o que pensamos, acreditamos e sentimos, porque a realidade é um holograma controlado pela vibração de sua consciência e você, está literalmente ajudando a criar o futuro com a sua corrente de pensamentos. Desde o nível sub-atómico a realidade se comporta de acordo com a expectativa do observador (que somos nós), porque o observador é a consciência em sua forma mais pura e como foi falado antes, é a consciência que molda o universo TODO.


Informação é a chave dessa ‘matrix’, essa realidade ‘ilusória’, a informação cria Fractais (Pesquise Cimatica), se a informação (vibração, frequência) aumenta, o número de fractais aumentara.
Se você pesquisar sobre Fractais e Teoria do Caos, e olhar em termos de sociedade, compreenderá a filosofia dos ‘Ocultistas’ chamada ‘ordo ab chaos’ (ordem vinda do caos), no sentido de que, quando o Sistema começa a ficar altamente desestabilizado, acontecem re-padronizações ‘aleatórias’ (para a física atual, mas eu não acredito que nada seja aleatório), que se re-organizarão em maior complexidade. Por isso é necessário para nós TODOS compreender melhor a nossa natureza, a natureza da nossa existência, do nosso corpo e da nossa essência que é pura consciência em ultima instância. No momento que você compreender sua natureza, compreenderá muito melhor o porque do mundo ser estruturado da maneira que é. As pessoas não enxergam o que está em baixo de seus narizes, porque elas olham para mundo e aceitam o que elas vêem como realidade, mas elas estão erradas. Essa Densidade em que nós vivemos é apenas uma pequena fração de uma frequência de Infinitos campos de frequências, é basicamente como uma TV ou um rádio quando você muda de canal. o canal em que você estava pára de ser visto, mas isso não significa que ele deixou de existir, somente você deixou de perceber determinado canal e o mesmo se aplica para o nosso corpo.

Finalizando… Consciência é a linguagem programadora do universo e nós somos condutores dessa consciência, é isso que nós somos e isso que nós fazemos, ela emana de dentro de nós, é o ato da consciência que cria tudo que nós percebemos. Não conseguiríamos nem sequer imaginar um universo sem nós, porque o ato de observar é o mesmo que criar algo para nós vermos. A compreensão intelectual sobre o assunto não é tão importante quanto a experiência do mesmo, porque é isso que cria TUDO. Não existe o que nós chamamos morte, o que existe, é a Consciência transcendendo as frequências no que chamam de salto quântico na física atual, você perderia seu ‘Avatar’ mas continuaria existindo como consciência. Isso é a negatividade retrocedendo e você entrando em um campo consciência mais amplo, onde você continuaria projetando seu histórico de informações, a maneira como você conhecia o universo antes do ‘salto’ quântico.
A morte é quando a consciência pára de causar o colapso das possibilidades quânticas em eventos reais da experiência” – Amit Goswami.

Fonte: http://betoblog2012.blogspot.pt/2012/09/a-realidade-e-uma-matrix.html

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A Essência da Sabedoria.

Fonte:http://pistasdocaminho.blogspot.pt/2015/06/a-essencia-da-sabedoria.html

domingo, 21 de junho de 2015

Quando o grande místico sufi Hasan estava morrendo, alguém lhe perguntou:

“Hasan, quem foi seu mestre?”.

Ele respondeu: “Tive milhares deles. Se apenas enumerasse seus nomes, levaria meses, anos, e agora é tarde demais. Mas certamente lhe contarei sobre três Mestres.

“Um deles foi um ladrão. Uma vez me perdi no deserto, e quando cheguei a uma aldeia já era muito tarde, tudo estava fechado. Mas finalmente encontrei um homem, que tentava fazer um buraco na parede de uma casa. Perguntei-lhe onde poderia ficar, e ele respondeu: ” A esta hora da noite será difícil, mas pode ficar comigo se for capaz de ficar com um ladrão!”.

“E o homem era tão harmonioso – fiquei por um mês! E toda noite ele dizia: “Estou indo agora a meu trabalho. Vá descansar e rezar.” E quando ele voltava, eu lhe perguntava: “Conseguiu algo?, e ele respondia: “Esta noite não. Mas amanhã tentarei novamente, e se Deus quiser…” Ele nunca se desesperava, e estava sempre feliz.

“Quando eu meditava e meditava por anos a fio, e nada me acontecia, muitas vezes havia momentos em que ficava tão desesperado, tão sem esperanças, que pensava em parar com toda aquela bobagem. E de repente me lembrava do ladrão que toda noite dizia: “Se Deus quiser, amanhã vai acontecer”.

“E meu segundo mestre foi um cachorro. Eu me dirigia a um rio, sedento, e um cachorro apareceu, também com sede. Olhou para o rio, vendo lá outro cachorro – sua própria imagem – ficou com medo. Ele latia e se afastava correndo, mas sua sede era tamanha que acabava voltando. Finalmente, apesar do medo, simplesmente pulou na água, e a imagem desapareceu. E eu sabia que aquela era uma mensagem de Deus para mim: devemos dar o salto, apesar de nossos receios.

“E o terceiro Mestre foi uma pequena criança. Cheguei numa cidade, e uma criança estava carregando uma vela acesa. Ela se dirigia à mesquita, para lá depositar a vela.

“Apenas por brincadeira, perguntei ao menino :”Você mesmo acendeu a vela? Ele respondeu: “Sim, senhor”. E continuei: ” Houve um momento em que a vela esteve apagada, depois houve outro em que ela acendeu. Você pode me mostrar a fonte da qual a luz veio?”.

“E o menino riu, assoprou a vela, e disse: Agora você viu a luz indo. Para onde ela foi? Diga-me!

“Meu ego e todo o meu conhecimento ficaram despedaçados. E naquele momento senti minha própria estupidez. Desde então abandonei toda a minha erudição”.

É verdade que não tive Mestre. Mas isso não significa que não fui discípulo – aceitei toda a existência como minha Mestra. Meu discipulado foi um envolvimento maior que o seu. Confiei nas nuvens, nas árvores…na existência como tal. Não tive Mestre porque tive milhares deles – aprendi de todas as fontes possíveis.

Ser discípulo é uma necessidade absoluta no caminho. O que significa ser discípulo? Significa ser capaz de aprender, estar disposto a aprender, ser vulnerável à existência. Com um Mestre você começa aprendendo a aprender…e muito lentamente você entra em sintonia e percebe que, da mesma maneira, pode entrar em sintonia com toda a existência. O Mestre é uma piscina onde você pode aprender a nadar. E quando aprende, todos os oceanos são seus.

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Meditação

Fonte: http://jornaldespertar.blogspot.pt/2015/06/o-despertar-da-meditacao.html

Encontrei este texo e pela sua relevância decidi partilha-lo.

O Despertar da meditação

Enquanto que para muitas pessoas a Meditação ainda é vista apenas como um relaxamento, Osho passou a vida inteira se dedicando em seus discursos públicos a detalhar sobre este caminho de purificação e clareza.
 
Meditação é muito mais que relaxamento do corpo e da mente.
Meditação é um caminho de vida e de transformação.
 
É um processo pelo qual transmutamos a nossa energia e nos tornamos mais conscientes de quem realmente somos.
O nosso padrão natural é o sonambulismo. Vivemos como se já estivéssemos prontos. Acreditamos que já temos capacidade de amar, de aprender, de dar valor a uma amizade, às belezas da vida. Mas nada sabemos. Nossa civilização não tem coração.
Tem tecnologia usada para satisfazer egos doentes, carentes, patológicos. Mas não tem amor. Não conhecemos a vida como ela é. Nossa educação é pobre. Nossos relacionamentos não satisfazem e precisam ser mudados de quando em quando. São pessoas carentes querendo encontrar felicidades com outras pessoas carentes. O resultado é zero.
A sensação de que o outro não pôde me dar o que eu queria gera mágoa, frustração, sentimento de fracasso – pontos que, infelizmente, ocorrem diariamente num grande número de casamentos.
Estamos sempre insatisfeitos, pedindo sempre mais, e sem saber bem o que nos faz pedir sempre mais e mais. Uma carência quase absoluta. Um vazio que apenas gera angústia e desejo. E este desejo, uma promessa que nunca é cumprida…
Neste grau de insanidade temos a falsa crença de que sabemos como educar nossas crianças! Então vemos escolas despreparadas, professores estressados, pais que não compreendem mais suas posições diantes dos filhos (pois já não são respeitados, afinal nunca sequer souberam respeitar “a si mesmos”). E pouco se fala de uma educação para o Ser, para o Real Viver.“Vamos renovar os currículos”, a gente ouve. Mas nunca ouví: “Vamos renovar nossas almas”.
A Meditação é uma resposta a esta vida automática e sem propósito que estamos vivendo.
O caminho da Meditação é a saída para o medo que controla a maioria das pessoas. Medo que impede de nos vermos como amor. Medo que cria a grande ilusão de que estamos separados uns dos outros e da vida. Medo que impede de olharmos para dentro de nós mesmos e despertarmos para o que realmentesomos: consciência de luz, de amor, de sabedoria, de amizade, de criatividade e participação.
Quando começamos a meditar, muitas coisas acontecem. Uma delas é nos darmos conta de como criamos as armadilhas.
Despertamos para o fato de que somos responsáveis pelo nosso sofrimento. E isso, para a maioria das pessoas é apavorante, pois não terão mais em quem descontar e pôr a culpa. Não, não é culpa de ninguém. Não, não é nem culpa nossa. É apenas ignorância natural. Faz parte do caminho. Pode ser vencida com responsabilidade. Pode ser ultrapassada com um caminho que nos abra os olhos para como estamos reagindo a cada evento que nos acontece.
Reação significa automatismo, falta de inteligência. Ação, bem ao contrário, condiz com a aptidão para estar aberto ao fato, disposto a olhar para o que está acontecendo, agir com inteligência ao momento. Isso é o que significa responsabilidade – a habilidade de responder ao momento.
Estou reagindo com consciência ou estou reagindo com a mesma moeda? Vingança é inteligência ou simplesmente um instinto precário e embrutecido? Então, a meditação faz surgir muitas coisas que estavam ocultas. E é por este motivo que muitas pessoas desistem. A segurança da rotina é mais viável que a vida. A vida é um campo aberto de possibilidades. Ela nunca está pronta. Está sempre se movendo para um pico mais elevado. Muita gente reclama da rotina, mas se prende a ela com unhas e dentes.
Por que? Pelo medo de mudar. Neste caminho escuto muitas coisas. As pessoas que iniciam a meditar tem certos desconfortos. Ouvi certa vez: “Eu comecei a meditar, mas parei. Ao invés de minha mente se aquietar ela ficou muito pior. Eu não sei porque vem tanto pensamento. Fiquei quase louca”!
Sim, naturalmente. Meditação não é um anestésico. Meditação não é mentalização (práticas em que você imagina luzes, lugares bonitos, pensamentos elevados, etc). A meditação é uma prática para observar a mente. Observar como ela é.
Meditação não é reprogramação. É simplesmente autoconhecimento. Puro e simples. Ela não funciona como calmante. Nenhum caminho espiritual que se preze pode ser um calmante. Nós não precisamos de consolos. Precisamos de libertação. Consolos já temos demais na vida, pois tudo que se faz é para distração, entretenimento. Distrair-se para que? Para não olhar para
si. Para não resolver as pendências. Para não ver a vida como ela é. A indústria do entretenimento é a maior de todas hoje em dia? Eis o porque. Ela existe como uma necessidade.
Sem ela o ser humano explode. Mas acaba sendo uma saída não muito inteligente, porque não resolve nada. É consolo. É para distrair, é mais um circo, e sempre de curta duração…
A meditação lhe faz consciente dos pensamentos. Há pendências no passado. Há preocupações com o futuro.Pendências e preocupações são a base da confusão mental.Então, a prática da meditação lhe mostrará nitidamente suas pendências. Algo que você não está fazendo? Uma ação que está adiando? Uma culpa que está guardando? Uma raiva armazenada. Tudo isso precisa ser visto e curado. Por outro lado, ela também mostrará a nossa tendência a preocupações – que na verdade são fantasias, pura imaginação, histórias e crenças que estão habituadas a aparecer e que já temos como verdade. É preciso questionar:
É mesmo verdade? É mesmo real que preciso controlar tudo na minha vida? É mesmo verdade que não posso errar? É mesmo verdade que sou confuso ou apenas ESTOU confuso nesse momento diante de tais e tais fatos?
Ser confuso é uma coisa.Estar confuso é outra.
Ser triste é uma coisa.Estar triste é outra.
O caminho da meditação existe para colocar a casa em ordem. E a casa somos nós mesmos!
Como é possível tranquilidade e ao mesmo tempo viver em uma mente desordenada?
Meditar não é fugir da vida. Meditar é encontrar a vida. E nós mesmos estamos sempre no caminho de nossa própria vida.
Osho disse: “Saia de seu próprio caminho”. O único obstáculo, por incrível que pareça, são idéias errôneas que cultivamos na mente.Essas idéias funcionam como um filtro. Elas não deixam a vida aparecer em sua aparência real. A vida é distorcida por nossa própria interpretação. E quando filtros negativos, cheios de medo, angústia e ansiedade estão em nós, o que vemos na vida é isso – um reflexo de nós mesmos.
Criar um espaço meditativo em sua vida é abrir-se para o momento, despertar confiança no poder de ser você mesmo, acordar sua essência de amor, e fazer amizade com tudo que existe.
Isso é possível. Assim como tudo é possível com um pouco de disciplina e vontade, o caminho do bem viver passa por isso também. É possível, mas requer coragem, perseverança, e foco.
É preciso se juntar com pessoas que estão há mais tempo na viagem. Ouvir delas o que é o caminho. Aprender alguns atalhos de como driblamos a mente de suas artimanhas de auto-sabotagem. E principalmente é preciso muito interesse, muito empenho em realmente querer o melhor para si. Querer sair da posição de vítima. Não se satisfazer com uma vida morna. Ansiar por um viver com totalidade e celebração.
Há um ditado: “Quando pronto, o mestre aparece”. E o que é o mestre? Algumas pessoas acham que o mestre é apenas aquele guru todo trajado de branco ou ocre, que vem a sua vida e você automaticamente estará iluminado, cheio de graça e o sofrimento desaparecerá para sempre. Uma ilusão infantil. O mestre pode ser qualquer acontecimento na vida. Um acidente, um sofrimento muito forte, uma mudança drástica de emprego, uma perda no relacionamento, uma doença, etc. E é claro que pode ser personificado também em um professor, que ajuda no caminho de se autoconhecer e descobrir que em si próprio está a pérola da vida.
O Plano Maior envia no momento certo o mestre perfeito.
Nunca sabemos qual será o nosso próximo passo, e nem sabemos qual será o mestre na próxima esquina do caminho. Mas certamente sabemos de uma coisa: enquanto houver briga interna, enquanto houver reclamação, enquanto houver falta de entrega, de confiança, de aceitação plena da vida como ela É, muitos mestres aparecerão para nos despertar, criando um fogo interior para queimar nossas limitações e despertar a luz de nossa consciência.
Meditação é um caminho.(…)
Os ensinamentos dos iluminados não são simples de assimilar. E aí que novamente a meditação entra de forma maravilhosa. Ela permite com que a mente fique mais sutil para compreender a vida, de modo que tudo aquilo que ouvimos da boca dos sábios possam ser vividos na nossa vida também. Acredito que apenas desse modo os ensinamentos são úteis. Eles podem promover mudança. Eles não são teóricos. Pois se forem teóricos se tornam apenas uma filosofia. Meditação não é uma filosofia apenas.
Meditação é vida, é transformação constante. É aprender a se relacionar com a mudança como o rio que corre e sempre se renova. A vida precisa de atenção constante, de abertura, de flexibilidade. É por isso que se diz que pra viver realmente a vida você tem que se tornar a vida. Se você estiver separado da vida não aceitará as mudanças. É como se o Plano Menor (a mente humana) quisesseganhar do Plano Maior (a vida em sua total dimensão, em sua rede complexa de acontecimento e possibilidades entrelaçadas). Existe possibilidade disso?
Quando um pensamento que aparece em nossas mentes condizem com o Plano Maior, com a rede da vida, então muitas coisas começam a acontecer a partir dele. Mas quando um pensamento é apenas um pensamento lixo, um resíduo de alguma crença errônea, um desejo que não condiz com seu crescimento naquele momento, então, nada poderá fazer aquilo dar continuidade. E se você brigar com a vida inevitavelmente sempre perderá.
Muitas vezes a vida parecerá injusta. Aí podemos lembrar que o plano do pensamento, das opiniões, contém uma expansão Menor. Mas no Plano Maior, tudo está acontecendo como deve acontecer. E muitas vezes, tardiamente, é que nós percebemos que tudo estava perfeito.
A ignorância é sempre da mente limitada. Pois é natural que nossas mentes não possam compreender a imensidão da vida e os motivos pelos quais tudo acontece.
A meditação e os ensinamentos dos sábios podem nos ajudar a fazer um acordo com a Realidade Maior. Uma clareza que vai além do entendimento. Quando o nosso coração amansa e sabe
que tudo que está acontecendo é perfeito e útil para nós. Então vem uma aceitação natural. E dessa aceitação natural nasce uma espontaneidade que faz com que tudo se harmonize num Todo Maior.”
Swami Naseeb em O Despertar da Meditação
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Da Humildade

Fonte:

http://pistasdocaminho.blogspot.pt/2015/03/da-humildade.htmlsegunda-feira, 30 de março de 2015

A humildade constitui a base da honra, assim como o nível do chão constitui a base de uma elevação – Bruce Lee.

Desejamos concluir este livro enfatizando um aspecto capital dessa compreensão teórica e prática, a única capaz de nos livrar da angústia. Trata-se de compreender a natureza exata da humildade e de perceber que nela está a chave da nossa liberdade e da nossa grandeza.

Estamos vivendo desde já em estado de satori; ficamos entre­tanto impossibilitados de usufruí-lo devido ao trabalho incessante de nossos automatismos psicológicos que aferrolham dentro de nós um circulo vicioso; nossa agitação imaginativo-emotiva nos impede de ver a nossa “natureza de Buda” e, julgando estar assim privados da nossa realidade essencial, somos forçados a imaginar para compensar essa carência ilusória.

Acredito estar separado de meu “ser” e o procuro para juntar-me a ele. Conhecendo-me apenas como indivíduo separado, procu­ro o Absoluto num molde individual; desejo me afïrmar absolutamente-como-ser-separado. Esse esforço cria e alimenta a minha “ficção divina”, a minha pretensão fundamental a ser todo-poderoso como indivíduo no plano dos fenômenos.

Esse trabalho compensatório de meus automatismos psicoló­gicos consiste, na minha representação imaginativa das coisas, em negar a minha atenção às constatações da minha impotência, e em retirar a minha pretensão nos casos em que a visão dessa minha impotência não pode ser evitada. Eu me arranjo de modo a jamais reconhecer a igualdade entre mim mesmo e o mundo exterior; declaro-me diferente do mundo exterior, desnivelado em relação a ele, acima dele quando posso, abaixo quando não posso. A ficção segundo a qual eu seria individualmente a Causa Primeira do Uni­verso exige que só se cogite em condicionamento do mundo por mim: ou eu me vejo condicionando o mundo exterior, ou então me vejo incapaz de condicioná-lo, não podendo, porém, Jamais reco­nhecer-me condicionado por ele num plano de igualdade. Daí a ilusão do “Não-Eu”; quando me vejo incapaz, trata-se do “Não-Eu”; eu não quero nunca reconhecê-lo como “Ele”, por não ter cons­ciência da hipóstase que nos une.

A impossibilidade em que hoje me encontro de usufruir da minha natureza mesma, da minha natureza-de-Buda, como ho­mem universal e não como indivíduo separado, essa impossibilida­de me obriga a fabricar continuamente uma representação radical­mente enganosa da minha situação no universo. Em lugar de me ver em igualdade com o mundo exterior, eu me vejo ora acima dele, ora abaixo, ora “no alto”, ora “embaixo”. Nessa ótica, na qual o “no alto” é Ser e o “embaixo” é Nada, sou obrigado a sempre fazer esforços em direção ao Ser. Todos os meus esforços tendem neces­sariamente, de modo direto ou indireto, a me elevar, seja grossei­ramente, seja sutilmente ou, como se diz, “espiritualmente”.

Antes do satori, todos os meus automatismos psicológicos naturais têm como base o amor-próprio, a pretensão pessoal, a reivindicação de “subir” de uma maneira qualquer; e é essa reivin­dicação de me elevar individualmente que me esconde minha dig­nidade universal infinita.

Às vezes é difícil reconhecer como tal a pretensão que anima todos os meus esforços, todas as minhas aspirações. Vejo com facilidade a minha pretensão quando o Não-Eu do qual pretendo me distinguir é representado por outros seres humanos; nesse caso, basta um pouco de lealdade interior para atribuir à tentativa o seu nome verdadeiro. Já o mesmo não acontece quando o Não-Eu do qual pretendo me distinguir é representado por objetos ina­nimados ou, sobretudo, por essa ilusória e misteriosa entidade que eu denomino “Destino”; no entanto, no fundo, é exatamente a mes­ma coisa: minhas boas oportunidades me exaltam, as desfavorá­veis me humilham. Toda percepção da positividade no Universo me exalta; toda percepção da negatividade no Universo me humilha. Quando o mundo exterior é positivo, construtivo, ele está sendo como eu quero, parecendo-me portanto condicionado por mim; quan­do negativo, destrutivo (ainda que isso não me diga respeito direta-mente), está sendo como eu não o quero, parecendo-me portanto que ele se nega a se deixar condicionar por mim. Quando enxerga­mos direito as bases profundas do nosso amor-próprio, compreende­mos que todas as nossas alegrias imagináveis constituem satisfa­ções desse amor-próprio e que todos os nossos sofrimentos Imaginá­veis são ferimentos infligidos a esse mesmo amor-próprio. Com­preendemos, portanto, que a nossa pretensiosa atitude pessoal domina a totalidade de nossos automatismos afetivos, ou seja, a totalidade da nossa vida. Só a Inteligência Independente escapa dessa dominação.

Minha pretensão egotista em direção ao “no alto” precisa ex­pressar-se num trabalho imaginativo incessante por ser enganosa, por estar em radical contradição com a realidade das coisas. Quan­do lanço ao conjunto da minha vida pessoal um olhar impessoal, vejo que ela pode ser comparada à explosão de fogos de artificio; a subida do foguete corresponde à vida intra-uterina quando tudo se está preparando sem ainda se manifestar; o Instante em que explo­de o foguete é o do nascimento; o desabrochar do feixe luminoso representa esse período “ascendente” da minha vida, durante o qual o meu organismo desenvolve todas as suas potencialidades; a descida do feixe numa chuva de centelhas que se vão apagando representa a minha velhice, a minha morte. Parece-me, logo de início, que a “vida” desse foguete é um “crescendo”, em seguida um “diminuendo”. Mas, pensando melhor, vejo que ele é, em toda a sua duração, uma desintegração de energia; é um “diminuendo”, uma diminuição, do começo ao fim da sua manifestação. O mesmo acontece comigo como indivíduo, a partir do instante em que sou concebido, meu organismo psicossomático é a manifestação de uma desintegração, de uma descida constante. Logo que sou concebido, eu começo a morrer, esgotando em manifestações mais ou menos espetaculares uma energia primeira que decresce ininterruptamen­te. A realidade cósmica contradiz radicalmente a minha pretensão a “subir”, a estar “no alto”; na minha condição de “ser pessoal”, só tenho à minha frente o “embaixo”.

O problema da angústia humana está todo contido no proble­ma da humilhação. Curar-se da angústia é livrar-se de toda possi­bilidade de humilhação. De onde vem essa humilhação? De me ver Impotente? Não; isso não é suficiente. Ela deriva da minha vã ten­tativa de não perceber a minha impotência real. Não é a impotência em si que faz a humilhação, mas o impacto sofrido pela minha pretensão à onipotência quando ela entra em choque com a realida­de das coisas. Eu não me sinto humilhado porque o mundo exterior me nega, mas pelo malogro do meu empenho em aniquilar essa negação. A verdadeira causa da minha angústia não está nunca no mundo exterior: ela está somente na reivindicação que lanço para fora e que se esfacela de encontro ao muro da realidade. Estou errado quando me queixo de que o muro se tenha desmoronado sobre mim e me tenha ferido; eu é que me feri esbarrando nele; foi o meu próprio movimento que provocou o meu sofrimento. Quando eu deixar de pretender, nunca mais nada me há de ferir.

Posso também dizer que minha angústia-humilhação expres­sa a lancinante dor de um conflito interior entre a minha tendência a me ver todo-poderoso e a minha tendência a reconhecer a reali­dade concreta na qual é negada a minha onipotência. Fico angustiado-humilhado quando me sinto dividido entre a minha preten­são subjetiva e a minha constatação objetiva, entre a minha men­tira e a minha verdade, entre a minha representação parcial e a imparcial da minha situação no Universo. Só estarei a salvo da ameaça permanente da angústia quando a minha objetividade hou­ver triunfado da minha subjetividade; quando, em mim, a realida­de houver triunfado do sonho.

Na nossa ânsia de, finalmente, escapar da angústia, nós bus­camos doutrinas salvadoras, procuramos “gurus”. Mas o verdadei­ro guru não está longe: está diante de nossos olhos e nos oferece constantemente o seu ensinamento: é a realidade tal como ela é, é a nossa vida cotidiana. A evidência redentora está debaixo de nos­sos olhos, evidência da nossa não-onipotência, evidência de que a nossa pretensão é radicalmente absurda, impossível, e, portanto, ilusória, inexistente; evidência de que não há nada a recear para esperanças que não têm nenhuma realidade; evidência de que es­tou e sempre estive no chão, não havendo portanto nenhuma pos­sibilidade de uma queda, nenhum motivo para vertigens.
Se eu me sinto humilhado é porque meus automatismos ima­ginativos conseguem neutralizar a visão da realidade e mantêm em xeque a evidência. Não tiro nenhum proveito do ensinamento salu­tar que me é constantemente proposto porque eu o recuso; eu recorro a todo o meu engenho para evitar a experiência da humi­lhação. Caso sobrevenha uma circunstância humilhante, propon­do-me algum maravilhoso segredo iniciático, Imediatamente a mi­nha imaginação se empenha em afastar aquilo que me parece um perigo; ela luta contra o ilusório deslocamento para “baixo”; ela faz tudo para me reinstalar naquele estado habitual de arrogância satisfeita no qual encontro um alívio transitório, mas também a certeza de novas angústias. Em suma: eu me mantenho numa constante defensiva contra aquilo que tem como objetivo me sal­var; luto com unhas e dentes para defender a fonte mesma da minha infelicidade. Todos os meus trabalhos interiores tendem a impedir o satori porque visam lá “no alto” enquanto o satori está à minha espera “embaixo”. De modo que tem razão o Zen quando diz que “o satori cai sobre nós de Improviso, depois de termos esgotado todos os recursos do nosso ser”.

Essas considerações parecem apontar a humildade como o “caminho”. É verdade, num certo sentido. Vejamos, no entanto, em que sentido a humildade não constitui um “caminho” se, com essa palavra, estamos designando uma disciplina sistemática. Na mi­nha condição atual, não posso fazer nenhum esforço que, direta ou indiretamente, não constitua um esforço para “o alto”. Todo esfor­ço visando conquistar a humildade só poderá levar a uma falsa humildade na qual eu ainda estarei me exaltando egotisticamente através do ídolo que criei para mim. É absolutamente impossível que eu me rebaixe a mim mesmo, isto é, que eu mesmo diminua a intensidade de minha reivindicação de “ser”. A única coisa que posso e devo fazer, caso deseje me livrar definitivamente da angús­tia, é resistir cada vez menos ao ensinamento da realidade concre­ta, é deixar que a evidência da ordem cósmica me diminua. Mesmo nesse caso, não há nada que eu possa fazer ou parar de fazer diretamente. Deixarei de me opor aos benefícios construtivos e harmonizadores da humilhação na medida em que eu tiver com­preendido que o meu verdadeiro bem está onde, paradoxalmente, eu até agora havia situado o meu mal. Enquanto eu não tiver compreendido, permanecerei voltado para o “alto”; tendo compreen­dido, eu não me volto para “baixo” – pois ainda uma vez não me é possível estar voltado para “baixo” e qualquer esforço nesse sentido transformaria o “embaixo” em “no alto” – porém, a minha aspira­ção que tende para “o alto” diminui de intensidade e, nessa medi­da, sou beneficiado pelas minhas humilhações. Tendo compreen­dido, passo a oferecer menos resistência e, por isso, vejo cada vez mais frequentemente que sou humilhado; vejo que, no fundo, to­dos os meus estados negativos constituem humilhações e que, até agora, eu me arranjava de modo a lhes atribuir outros nomes. Sou então capaz de me sentir humilhado, agastado, tendo em mim como única imagem a desse estado e de ali me deixar estar imóvel, pois a minha compreensão terá anulado os meus esforços reflexos de fuga. A partir do instante em que chego a não mais me mexer no meu estado humilhado, descubro, surpreendido, que é este o “asilo do repouso”, o único porto de salvação, o único ponto do mundo onde se encontra a minha perfeita segurança. Minha adesão a esse estado, colocada diante da minha recusa natural, obtém o funcionamento do Princípio Conciliador; os contrários se neutralizam; meu sofrimento se desvanece, desvanecendo-se ao mesmo tempo uma parte da minha pretensão fundamental. Sinto-me mais próximo do solo, do “embaixo”, da humildade real (humildade que não é aceitação de inferioridade, mas abandono da concepção “Vertical” na qual eu me via sempre acima ou abaixo. Um sentimento de tristeza, de “noite”, acompanha esses fenômenos interiores; trata-se de um sentimento muito diferente da angústia, pois é impreg­nado de uma grande calma. Nesse momento de calma noturna e de relaxamento, elaboram-se os processos daquilo que denominamos “a alquimia interior”. Desagrega-se o “homem antigo” em benefício da gestação do “homem novo”. Morre o indivíduo para que nasça o universal.

A conquista da humildade, impossível diretamente, supõe por­tanto o uso da humilhação. Todo sofrimento, ao nos humilhar, modifica-nos. Mas essa modificação pode ser de dois tipos radical­mente opostos: se eu me debater contra a humilhação, ela me destruirá, agravará a minha desarmonia interior; se eu a deixar agir sem contrariá-la, ela há de construir a minha harmonia inte­rior. Deixar agir a humilhação é simplesmente reconhecer para mim mesmo que estou humilhado.

O “Ser”, na nossa perspectiva atual, nos aparece como o casal inconciliado do zero e do infinito. Nossa natureza nos compele a identificá-lo logo de início com ò infinito e a tentar alcançá-lo sob essa forma, “subindo” constantemente. Mas esta é uma tentativa frustrada: nenhuma subida no finito poderia alcançar o infinito. O caminho para o “Ser” não é o infinito, mas o zero que, aliás, não sendo nada, não é um caminho.

Essa ideia de que a humildade não constitui um “caminho” é tão importante que desejamos enfatizá-la ainda uma vez. Se ela não ficar bem compreendida, eu fatalmente eliminarei estas ou aquelas manifestações da minha pretensão na vida prática, irei confinar-me numa categoria social medíocre, etc., ou seja, fugirei das humilhações em lugar de utilizá-las; os simulacros de humil­dade nunca passam de simulacros. Não se trata de modificar o funcionamento da minha pretensão fundamental, e, sim, de utili­zar as evidências que surgem durante esse funcionamento, graças aos humilhantes malogros aos quais ele necessariamente leva. Quan­do deixo artificialmente de lutar contra o Não-Eu, eu me privo dos ensinamentos indispensáveis que me advêm de minhas derrotas.

Embora nem sempre o diga explicitamente, o Zen centra-se na ideia de humildade. Ao longo de toda a literatura zen, vemos os mestres em sua engenhosa bondade humilharem intensamente seus alunos no momento que lhes parece propício. Seja como for, seja a humilhação infligida por um mestre ou pelo fracasso final experimentado dentro de si mesmo, o satori sempre se desencadeia no instante em que a humildade do homem se realiza diante do absurdo finalmente evidente de todos os seus pretensiosos esfor­ços. Lembremo-nos de que, para nós, a “natureza das coisas” é o melhor, o mais afetuoso e o mais humilhante dos mestres; ela nos envolve com sua vigilante ajuda. A única tarefa que nos cabe é compreender a realidade e deixar que ela nos transforme.

Do livro “A Doutrina Suprema, segundo o pensamento zen”

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Bons Muçulmanos.

Navegando pela Net encontrei um site muito bonito (http://muitoalem2013.blogspot.pt/2013/09/luzes-do-mundo-rumi.html) acerca da vida e obra de Mevlana Jalaluddim Rumi.

Pois é, é mesmo o homem era muçulmano e não era violento era de facto uma alma magnifica que nos deixou uma obra espirutalmente elevada e muito bela. Nestes dias é bom lembrar que a maioria dos que seguem os ensinamentos de Maomé são gente boa como o resto do mundo. Infelizmente energúmenos violentos, existem em todo o lado e quando acirados e usados pelos interreses que dominam o mundo, e depois de devidamente publicitados pelos Mass-média de serviço, toda a gente fica aterrada e com medo deles. Amigos urge saber destinguir o trigo do joio e não embalar em odios pré-definidos pelas elites.

Rumi_1Apenas um exemplo da sua sabedoria.

Johannes.

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